Fernando Calhau iniciou a sua atividade artística nos anos setenta, num quadro da arte internacional marcado pelo conceptualismo e pelo minimalismo. O seu trabalho abrangeu o domínio da gravura, da pintura, da fotografia e do filme super 8. Tendencialmente monocromática, a sua pintura assentou na economia de meios e na contenção das formas, usando por vezes a relação da imagem com a palavra escrita. Esta obra, em que o quadrado é a figura dominante, pertence a uma série de composições de título sequencial, como era comum na sua produção artística, em que o artista situa-nos perante uma paisagem negra que apela também aos domínios abstratos das sensações. Desenvolvida na fase final da sua vida, a composição baseada na presença do negro, com apontamentos cinzentos e brancos, sugere um espaço imersivo e infinito para lá da tela e da parede, que nos coloca perante a noção de infinitude do universo. [Sandra Vieira Jürgens]
Exposições coletivas
2024: IMAGINÁRIO COLETIVO: Obras da Coleção de Arte Contemporânea do Estado, Museu de Aveiro / Santa Joana, Aveiro, Portugal
Bibliografia
Sandra Vieira Jürgens, «Ecologia de uma Coleção» in IMAGINÁRIO COLETIVO: Obras da Coleção de Arte Contemporânea do Estado. Lisboa: Imprensa Nacional–Casa da Moeda, agosto de 2024, cit. p. 7, rep. p. 43.