«Corpo – Fantasma»: Obras da Coleção de Arte Contemporânea do Estado

Publicado a 27 Maio 2026
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Inaugurada no dia 22 de maio no Centro de Artes Villa Portela, em Leiria, a exposição conta com obras de 28 artistas.

Com curadoria de Marta Espiridião, a exposição reúne obras de Adriana Proganó, Ana Mata, Ana Mendieta, André Romão, António Dacosta, Belén Uriel, Bruno Zhu, Ção Pestana, Cindy Sherman, Didier Fiúza Faustino, Félix González-Torres, Flávia Vieira, Gabriel Abrantes, Irene Buarque, Jaime Welsh, João Gabriel, Juliana Julieta, Lourdes Castro Luisa Cunha, Maria José Palla, Mariko Mori, Mónica de Miranda, Mumtazz, Patrícia Almeida, Rosa Carvalho, Salette Tavares, Sarah Lucas e Túlia Saldanha. 

O evento da inauguração contou com a presença da Ministra da Cultura, Juventude e Desporto, Margarida Balseiro Lopes, do Presidente da Câmara Municipal de Leiria, Gonçalo Nuno Lopes, do Presidente do Conselho de Administração da MMP, Alexandre Nobre Pais e da diretora e curadora da CACE, Sandra Vieira Jürgens.

Conheça o texto curatorial da exposição:

A exposição Corpo-Fantasma reúne obras da Coleção de Arte Contemporânea do Estado e desenvolve-se em torno da ideia de “espectralidade”: pensar o fantasma como uma metáfora que invoca aquilo que já passou e anuncia o que ainda está por vir.

Do visível ao invisível, o “fantasma do corpo” ocupa um espaço complexo e contraditório. Inclui desde os fantasmas da perceção, ligados ao género, à sexualidade ou à identidade, que dificultam a forma como nos relacionamos com corpos diferentes do nosso, até presenças que sentimos, mas não vemos. Abrange também as máscaras que usamos para mudar a nossa aparência, e a ideia de que o corpo pode perder limites ou transformar-se em memória. A noção de “membro fantasma” surge como algo que tanto conforta o corpo como revela a ausência de uma memória antiga. E há ainda a ideia de que, por vezes, “amputamos” partes de nós para nos ajustarmos a um conjunto maior. O fantasma é, assim, um corpo múltiplo, contraditório, afetivo e profundamente humano.

As obras expostas apresentam corpos e fantasmas em várias formas, materiais e espaços, traçando um percurso livre e não linear ao longo da exposição. A figura humana aparece sempre marcada pela tensão entre o que está presente e o que está ausente, entre a imaterialidade e a representação. Do visível ao (tornado) invisível, da luz à sombra, da presença ao desaparecimento, do passado ao futuro, os fantasmas mostram-nos como a consciência pode existir mesmo sem matéria. Seja nas suas partes ou no todo, cada corpo é entendido como um mundo próprio, e cada olhar como o primeiro momento de aparição. Fica a ideia, como escreveu Jacques Derrida, de que “o futuro pertence aos fantasmas”.