Nota de pesar – Luisa Cunha

Publicado a 6 Julho 2026
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A CACE – Coleção de Arte Contemporânea do Estado manifesta o seu profundo pesar pelo falecimento da artista Luisa Cunha (1949-2026), uma das criadoras mais originais, disruptivas e singulares do panorama da arte contemporânea portuguesa.

Natural de Lisboa, Luisa Cunha construiu um percurso invulgar nas artes visuais, tendo-se licenciado em filologia germânica pela Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa, em 1972, e tendo posteriormente estudado escultura na AR.CO, já nos anos noventa. Estes aspetos da sua formação constituem, de certa forma, a génese da sua identidade artística: a palavra, o som e o espaço transmutaram-se nas suas ferramentas primordiais de intervenção.

Na sua obra, a artista quase sempre se afasta do aparato visual e de grandes construções materiais, estruturando-se sobretudo a partir da força da presença, do elemento sonoro e da linguagem. Através de um humor refinado e de uma ironia cortante, Luisa Cunha desconstruiu convenções sociais e modelos de autoridade, explorando de forma poética as tensões entre o interior e o exterior ou o domínio público e a esfera íntima.

Vencedora do Grande Prémio de Arte Fundação EDP (2021) e do Prémio AICA (2022), está representada nas mais importantes coleções de arte contemporânea portuguesas, entre as quais a CACE. 

O legado de Luisa Cunha impõe-se pela originalidade e pelo carácter multidisciplinar de uma prática que influenciou profundamente as gerações mais novas de artistas. À família e amigos, a CACE apresenta as suas mais sentidas condolências.


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